Django Livre

Django Livre | Saiba o que esperar do novo filme do Tarantino

Tarantino é hype. Isto justifica a quantidade de pessoas usando all-star, camisa xadrez, óculos quadradinho e iPhone na mão, durante a sessão para impressa de Django Livre (“Django Unchained“, USA, 2012) novo filme do diretor. Mas também é hype falar mal do Tarantino, mesmo ainda com o Christopher Nolan como nosso Judas preferido no momento.

Django Livre

Tudo sobre o filme Django Livre:

Sendo assim, de cara já pode ter duas coisas que te desanimem a ver Django Livre: É um filme do Tarantino e é um Faroeste, gênero apreciado por poucos (mas que os hipsters fingem entender quando surgem as referências ao estilo durante o filme).

Li uma critica no Rotten Tomatoes que ilustra bem um ponto: já há alguns filmes que o Tarantino transformou cinema em videoclipe. O comentário era negativo, mas eu não vejo isso exatamente como uma coisa ruim, uma vez que muitos filmes são infinitamente melhores nos trailers. Neste caso, é um grande trailer de 2 horas e 45 minutos – incrivelmente divertidos. Com estrutura bem mais simples que “Bastardos Inglórios” (de 2009) e seguindo a simplicidade de roteiro usada em “Kill Bill” (de 2003 e 2004), o enredo é bem simples:

Na América escravocrata do século 19, Django (o ganhador do Oscar Jamie Foxx, impecável) é um escravo comprado – em circunstância bem curiosa – pelo ex-dentista e atual caçador de recompensas Dr. King Schultz (Christoph Waltz, também ganhador do Oscar pelo filme anterior de Tarantino, “Bastardos Inglórios”, e que só é genial quando trabalha com o mesmo) para ajudá-lo a encontrar uns fugitivos. Retribuindo o favor, Schultz vai ajudar Django a encontrar sua esposa Broomhilda (Kerry Washington). E ponto, é isso. Sem grandes reviravoltas, sem grandes segredos.

Tarantino descobriu uma fórmula desde “Cães de Aluguel” (de 1992) e “Pulp Fiction” (de 1994): ótimos (e longos) diálogos, trilha sonora impecável e violência gratuita. Viu que essa fórmula funciona e trocando a ambientação, faz o mesmo filme homenageando os estilos que o influenciaram como diretor. “Django Livre” é uma ótima homenagem ao velho Western Spaghetti, um tributo a Sergio Leone, Sergio Corbucci, Franco Nero (em uma participação ótima no filme) e Ennio Morricone (que obviamente está na trilha sonora, mas não aparece nos momentos óbvios).

Django Livre é o filme mais pastelão do Tarantino, com certeza. Com piadas a todo o momento deixa um tom leve ao filme, que nos EUA ficou pesado pelo uso da palavra “nigger” (uma variação que os americanos encontrar para “negro”) – que na era do politicamente correto foi criticada, mas era indispensável para o tom do filme. Foxx e Waltz são seguramente os destaques do filme, juntamente com a atuação do arroz de festa Samuel L. Jackson – brilhante – e do veterano Don Johnson (aquele de “Miami Vice“).

Quem destoa completamente do filme é Leonardo DiCaprio, burocrático em um papel ótimo, onde o personagem poderia ter sido explorado muito, mas muito mais. Tarantino é um ótimo diretor de atores justamente por deixá-los soltos, permitindo até improvisos, coisa que acho que Leo não está muito acostumado, trabalhando com ente mais linha dura como Spielberg ou Scorsese. Não compromete, mas não ajuda.

Tarantino apressou o filme para sair ainda em 2012 (lá fora) e ver se pegava um Oscar. Vai ganhar algo? Talvez entre os atores, indicação de coadjuvante para Waltz não seria surpresa (mas não levaria, acho) e para Samuel L. Jackson seria bem vinda (mas aí a indicação seria surpresa).

Resumindo: se você é fã de Faroeste, não é um Faroeste. Django Livre é um filme do Tarantino, como os outros que você já viu, mas aqui o pano de fundo não é o Japão das artes marciais ou a Alemanha da Segunda Grande Guerra, mas sim o velho oeste dois anos antes da explosão da guerra civil americana. Não espere grande roteiros e ganhe grandes atuações em um filme que é diversão garantida.

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2 opiniões sobre “Django Livre | Saiba o que esperar do novo filme do Tarantino”

  1. Qnd ve ver um filme raso e superficial acaba achando uma merda, mas depois que descobre que é de Tarantino, é como se a merda tivesse sido folheada a ouro.

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